02/04/2025
Bolsonaristas vão obstruir votações enquanto Hugo Motta não pautar anistia aos condenados pelo 8/1
BRASÍLIA, DF - Deputados que fazem oposição ao governo Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram nesta terça-feira (1º) com o presidente
da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em mais um esforço para tentar avançar
o projeto de lei que dá anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de
2023. A informação é do g1. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o
primeiro vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (RJ), chegaram à residência
oficial de Motta ainda antes da hora do almoço. Eles, assim como outros parlamentares, tentam convencer
Motta a receber outros líderes de oposição e do Centrão para discutir o rito de
tramitação do texto na Câmara – e a possibilidade de levar o tema ao plenário o
quanto antes. "Ele [Hugo Motta] está conversando com os outros
líderes para decidir. Enquanto ele decide, o PL estará em obstrução",
afirmou Sóstenes por mensagem ao deixar a residência oficial. Segundo o líder, Motta não deu prazo para uma eventual
decisão sobre o futuro do projeto. Hugo Motta recebeu o apoio tanto do governo Lula quanto da
oposição na eleição para comandar a Câmara, no início do ano. No debate da
anistia, ambos os lados vêm citando esse apoio para defender suas posições. Quando estão em obstrução, os deputados usam uma série de
instrumentos para atrasar ou impedir os trabalhos no Congresso. Por exemplo: se recusar a registrar presença (para
dificultar o atingimento do quórum mínimo), pedir a palavra sucessivas vezes,
recusar votações simbólicas e requerer o adiamento dos debates. Mais cedo, antes da reunião com Motta, deputados se reuniram
na casa do líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS). O ex-presidente Jair
Bolsonaro participou do encontro. Ainda como parte da "pressão" para pautar o PL da
Anistia, a oposição pretende reunir familiares dos presos no Congresso, até o
fim da semana, e manter a obstrução até que o requerimento de urgência seja
pautado. Tramitação confusa O projeto chegou a ser encaminhado no ano passado à Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), como o primeiro passo de uma tramitação
regular. Temendo a repercussão negativa da proposta, o então
presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), definiu que o texto deveria sair da
CCJ e passar, em vez disso, por uma comissão especial – que, apesar de prevista,
nunca foi instalada de fato. O PL da Anistia está agora, portanto, numa espécie de
"limbo" na Câmara: - o governo Lula é contrário ao texto e tenta convencer
Motta e manter a tramitação paralisada; - deputados de oposição, sobretudo os bolsonaristas, tentam
aprovar um requerimento de urgência para levar o tema diretamente ao plenário
da Câmara, pulando as comissões; - entre um lado e outro, há quem defenda a tramitação
regular do projeto, com a instalação efetiva da comissão especial para debater
o tema.
g1, com foto: Reprodução
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