03/04/2025
Pressão para aprovar anistia a golpistas do 8/1 falha e bolsonaristas tem derrota dupla na Câmara
BRASÍLIA, DF - Apesar de deputados da oposição terem
intensificado a pressão pelo projeto de anistia aos golpistas de 8 de janeiro,
o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), recusou, na terça-feira,
o pedido para pautar um requerimento de urgência do texto. Desde a semana passada, parlamentares do PL anunciavam que
obstruiriam os trabalhos da Câmara até que Motta pautasse o projeto. Nesta
terça, eles conseguiram atrapalhar o andamento de comissões, mas não tiveram o
mesmo êxito na sessão no plenário, e o governo conseguiu aprovar a medida
provisória que libera crédito de R$ 938 milhões para sete ministérios. Os
recursos serão empregados, por exemplo, no Seguro Defeso e em ações de
enfrentamento à seca e a incêndios no Pantanal e na Amazônia. Também nesta terça, Motta teve reuniões com parlamentares
governistas e da oposição a respeito do PL da Anistia. O líder do PT na Casa,
Lindbergh Farias (RJ), tem atuado com outras lideranças de partidos de esquerda
e do Centrão para tentar barrar o tema. "Como era previsto, não haverá votação da urgência do
PL da Anistia. Conversei com vários líderes, a oposição fala muito, mas, na
verdade, não existem as assinaturas para o requerimento de urgência. Essa é uma
pauta que não interessa ao Parlamento", enfatizou Lindbergh. Principal beneficiado de uma possível anistia aos envolvidos
na tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve na
reunião com a liderança da oposição ao governo, na Câmara, momentos antes do
encontro dos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ) com
Motta para pautarem a anistia. "Estamos vivendo um estado de exceção no Brasil. Para
momentos de anormalidade institucional, precisamos atuar de forma muito
firme", afirmou o líder da oposição e deputado federal Luciano Zucco
(PL-RS). Sem sucesso no avanço do PL da Anistia, a oposição anunciou
que pedirá à Câmara a sustação da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem
(PL-RJ). O parlamentar, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência
(Abin) durante o governo Bolsonaro, tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal
(STF) por tentativa de golpe de Estado. "Tomamos a decisão constitucional de um recurso para respaldarmos
o nosso colega, deputado delegado Ramagem, que tem toda a nossa solidariedade e
apoio. Esta Casa não pode continuar sendo subserviente a outro Poder. Nós
precisamos nos comportar como um Poder tal como a Constituição preconiza",
disse Sóstenes Cavalcante. Subcomissão Luciano Zucco anunciou que apresentará, nesta semana, um
relatório produzido pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro
(ASFAV). Segundo ele, o documento detalha uma série de abusos e violações de
direitos cometidos contra os presos após os atos extremistas em Brasília. Nesta terça-feira, a Comissão de Segurança Pública e Combate
ao Crime Organizado aprovou requerimento apresentado por Zucco para a criação
de uma Subcomissão Especial de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
(CSPCCO). O objetivo é fiscalizar as denúncias de violações de direitos humanos
praticadas nas prisões aos detidos por participação nos atos golpistas de 8 de
janeiro.
Correio Braziliense, com foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
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