28/03/2025
Moraes arquiva investigação contra Bolsonaro sobre suposta falsificação de seu cartão de vacina
BRASÍLIA, DF - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (28) o arquivamento do
inquérito que investigou o ex-presidente Jair Bolsonaro pela suposta
falsificação de cartões de vacinação contra covid-19. A decisão foi motivada pelo pedido feito pela
Procuradoria-Geral da República (PGR). No entendimento do órgão, há
"ausência de elementos que justifiquem a responsabilização de
Bolsonaro". Segundo o procurador-geral, Paulo Gonet, a acusação contra o
ex-presidente estava baseada somente nas palavras do tenente-coronel Mauro Cid,
delator da trama golpista e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Nos
depoimentos, Cid declarou que a ordem para falsificação foi dada pelo então
presidente. Na decisão, Moraes disse que o arquivamento do inquérito
pela PGR é irretratável. “A legislação proíbe o recebimento de denúncia que se
fundamente somente nas declarações do colaborador, exigindo-se,
consequentemente, que seu oferecimento esteja embasado em provas autônomas e
independente, além de informações surgidas a partir da colaboração devidamente
ratificadas por outras provas”, justificou o Moraes. O arquivamento também vale para o caso do deputado federal
Gutemberg Reis (MDB-RJ). Segundo as investigações da Polícia Federal, ele
também chegou a ter seus dados falsos incluídos no ConecteSUS para constar que
foi vacinado contra a covid-19. Entenda Em março do ano passado, a Polícia Federal (PF) concluiu que
Mauro Cid atuou como articulador da emissão de cartões falsos de vacinação
contra a covid-19 para o ex-presidente e familiares dele. Cid também teria
atuado para emitir certificados para suas filhas e esposa. A investigação foi
finalizada em março do ano passado. No relatório da investigação, a PF afirmou que a ordem para
falsificar os certificados de vacinação contra covid-19 de Jair Bolsonaro e de
sua filha partiu do próprio ex-presidente. Conforme a investigação, o ajudante de ordens do então
presidente teria inserido informações falsas no sistema do Ministério da Saúde
com o objetivo de facilitar a entrada e a saída nos Estados Unidos, burlando
exigências sanitárias contra a covid-19 impostas pelos Estados Unidos (EUA) e
também pelo Brasil. Ambos países exigiam a vacinação contra doença para que se
cruzasse a fronteira. Bolsonaro embarcou para os EUA com a família e auxiliares no
dia 30 de dezembro, após derrota na eleição presidencial de 2022. No relatório,
a PF fez uma relação da adulteração do cartão de vacina do então presidente com
a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes
foram invadidas e depredadas. Para o delegado Fábio Alvarez Shor, que atuou na
investigação, a intenção de fraudar o documento está ligada a uma possível
solicitação de permanência em outro país. Apesar das conclusões da PF, a PGR não é obrigada a seguir o
entendimento e pode pedir o arquivamento do caso.
André Richter/Aécio Amado – Agência Brasil, com foto: Alan Santos/PR
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