26/03/2025
Decisão do STF sobre Bolsonaro e mais sete tornarem-se réus pela trama golpista sai nesta terça-feira
BRASÍLIA, DF - A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal
(STF) encerrou hoje (25) o primeiro dia do julgamento que vai decidir se o ex-presidente
Jair Bolsonaro e mais sete denunciados pela trama golpista se tornarão réus. O julgamento será retomado nesta quarta-feira (26), às 9h30,
quando os ministros passarão para a parte que trata das questões de mérito, ou
seja, avaliar se os acusados vão ser processados pelos crimes de crimes de
organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado
Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e
grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. As penas somadas passam de
30 anos de prisão. A sessão vai começar com o voto do relator, Alexandre de
Moraes. Em seguida, os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e
Cristiano Zanin vão proferir seus votos. Se a maioria dos magistrados votar pela aceitação da
denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro e mais sete
acusados passaram à condição de réus e vão responder a uma ação penal no STF. Acusados A denúncia julgada pela turma trata do chamado núcleo
crucial, composto pelos seguintes acusados: - Jair Bolsonaro, ex-presidente da República; - WBraga Netto, general de Exército, ex-ministro e
vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022; - General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de
Segurança Institucional; - Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de
Inteligência - Abin; - Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de
segurança do Distrito Federal; - Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; - Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro
da Defesa; - Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Primeiro dia Durante o primeiro dia do julgamento, as defesas de
Bolsonaro e seus aliados rebateram a denúncia apresentada pelo procurador-geral
da República, Paulo Gonet. O procurador também se manifestou durante a sessão e
reforçou as acusações de tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente e
os demais acusados. Bolsonaro apareceu de surpresa no STF e acompanhou
presencialmente a sessão. Apesar de não
existir qualquer impedimento, a presença de investigados durante os julgamentos
do STF não é comum. Os ministros também rejeitaram diversas questões
preliminares, como a anulação da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de
ordens do ex-presidente. A turma também negou o impedimento dos ministros Alexandre
de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin para julgar o caso; o reconhecimento
da competência do plenário, e não da turma, para julgar a denúncia; as
alegações de cerceamento de defesa.
André Richter/Valéria Aguiar – Agência Brasil, com foto: Gustavo Moreno/STF
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