23/03/2025
Conselho de Medicina cria comissão para buscar respostas sobre a influência da fé na cura de doenças
RIO DE JANEIRO, RJ - O Conselho Federal de Medicina (CFM)
criou a Comissão de Saúde e Espiritualidade para avaliar estudos que buscam
entender como a religiosidade, a fé e a espiritualidade podem interferir na
evolução clínica positiva de pacientes e até na prevenção do adoecimento. A
comissão é composta por pesquisadores e estudiosos com publicações sobre o
tema, que vem sendo bastante discutido em congressos médicos de várias
especialidades. Segundo a coordenadora da comissão, a médica e conselheira
do CFM Rosylane Rocha, a ideia é avançar na discussão para consolidar um
entendimento que possa orientar os médicos: “A gente sabe que a própria OMS tem admitido o novo
conceito, né, de saúde, como perfeito estado de saúde física, mental, social e
espiritual. Então, o Conselho Federal de Medicina, dentro das suas atribuições,
quer saber, dentro da literatura científica, das pesquisas, como que está essa questão
da influência da fé na recuperação da saúde dos pacientes, e até mesmo de
prevenção de adoecimento, para que o conselho possa orientar os médicos sobre
esse tema”. Apesar de o assunto já contar com vários estudos, a médica
acredita que novas pesquisas também são necessárias: “Tudo na medicina começa de forma observacional e, depois,
os estudos vêm acontecendo, e a gente precisa ir analisando as variáveis, o
nível de evidências. Então, vamos ainda iniciar a análise desses estudos que já
existem e propor novos também. Esse tema é um tema que precisa trazer
fundamento científico e conhecimento”. A conselheira do CFM reforçou que o trabalho da comissão não
vai focar nas religiões, e sim no efeito da prática da fé, da espiritualidade,
na saúde das pessoas. Ela também esclareceu que o componente espiritual não
está sendo discutido como um substituto do tratamento convencional, e sim
complementar. “Esse componente da espiritualidade pode vir a compor uma
orientação médica terapêutica, sem, no entanto, interferir no que hoje já
existe. Assim como vários médicos, por questões de também comprovação
científica, durante o tratamento, nós indicamos a realização de atividade
física sob supervisão. Não quer dizer que vai substituir o tratamento
medicamentoso, por exemplo. Mas ele é um componente que faz parte da prescrição
médica”, destacou a médica. O médico pneumologista Blancard Torres, autor do livro
Doença, Fé e Esperança, professor titular da Universidade Federal de
Pernambuco, afirma que a espiritualidade já está comprovada cientificamente,
com sua ação liberando vários neurotransmissores que conectam o cérebro a todos
os órgãos. Blancard defende o uso desse recurso como aliado na medicina e
alerta que, para obter os efeitos benéficos, é preciso cultivar essa
espiritualidade: “O grande problema da espiritualidade é não se exercitar e
querer que ela haja de repente. Subitamente estou doente e, agora, quero contar
com a espiritualidade. Não é assim. A gente tem que exercitar esse dom. Esse
dom é fundamental nas nossas vidas. Porque, se você tem a espiritualidade, seja
com o que for, você vai reagir de uma forma diferente”. A comissão criada pelo Conselho Federal de Medicina deve
realizar, no segundo semestre deste ano, um fórum com a participação de vários
estudiosos e pesquisadores do assunto.
Fabiana Sampaio/Dayana Vitor/Bianca Paiva/Rafael Guimarães –
Agência Brasil
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