13/03/2025
Laudo do IML não descarta hipótese de abuso sexual de menina de 13 anos assassinada por pastor
BELO HORIZONTE, MG - Exames de perícia feitos no corpo da
adolescente Stefany Vitória Teixeira Ferreira têm resultado negativo para
presença de espermatozoides e antígeno prostático específico (PSA), proteína
produzida pela próstata e presente no sêmen. No entanto, a Polícia Civil de
Minas Gerais não confirma que a menina não tenha sofrido violência sexual na
ocasião do crime porque “ainda existem laudos pendentes”. A corporação informou
que aguarda a conclusão de todos os exames para se manifestar. O corpo de Stefany Vitória, de 13 anos, foi encontrado na
terça-feira 11 de fevereiro, já em estado de decomposição, em um monte de
orações na divisa entre as cidades de Esmeraldas e Ribeirão das Neves. O pastor
João das Graças Pachola, de 54 anos, confessou ter matado a menina ao ser preso
e indicou onde teria deixado o corpo. Exames periciais estão investigando se
Stefany também foi vítima de violência sexual, possibilidade fortalecida pela
descoberta de medicamentos para disfunção erétil, semelhantes ao viagra, dentro
do carro no qual o pastor teria levado a adolescente para ser morta. O laudo do IML aponta que foram coletadas e analisadas
amostras das áreas vaginal e perianal para verificar a presença de antígeno
prostático específico. Apesar do resultado do exame não ter constatado a
presença do PSA, o documento explica que resultados negativos também podem
ocorrer por fatores como: “variação de pH e temperatura; longo período entre a
produção da amostra e a realização da análise; ausência de esperma na amostra;
concentração em níveis abaixo da sensibilidade dos testes; presença de
substâncias contaminantes e/ou interferentes.” Além disso, o laudo afirma que o resultado negativo não
exclui a possibilidade da presença de células masculinas na amostra analisada.
Já a ausência de espermatozoides não é suficiente para descartar a hipótese de
abuso sexual. A PCMG não informou quais
são os exames referentes aos laudos que ainda não foram concluídos. Homicídio Stefany desapareceu dois dias antes de seu corpo ser
encontrado. A delegada Ingrid Estevam, da Divisão de Referência da Pessoa
Desaparecida, afirmou que a Polícia Civil foi procurada pela mãe da vítima, por
volta das 11h do domingo 9 de fevereiro, para comunicar o desaparecimento. Durante o depoimento, os policiais receberam uma denúncia
relatando que uma "mulher" havia sido vista pulando de um carro na
estrada da localidade conhecida como Lagoa do Tijuco, que fica perto da casa do
pastor, no Bairro Metropolitano, em Ribeirão das Neves. O motorista, posteriormente
identificado como o pastor, desceu do veículo e, com violência, colocou a
menina dentro do automóvel, seguindo em direção a Belo Horizonte pela BR-040. A
polícia foi informada sobre a placa e o modelo do carro. "Depois de pegar Stefany, tentar entrar com ela na área
da lagoa e perceber que não passaria despercebido, ele deu ré e seguiu para
outro local, onde encontramos o corpo, conhecido como monte de oração. [...]
Até o momento, tudo indica que ele agiu sozinho. Não há nenhuma linha investigativa
que sugira a participação de outra pessoa", declarou a delegada. À polícia, João das Graças afirmou que matou a adolescente
depois de ela dar um tapa em seu rosto. O homem negou, no entanto, que tenha
abusado sexualmente da vítima. "Ele contou que ficou nervoso, enforcou a
menina e levou o corpo para a desova", disse Ingrid Estevam. De acordo com o delegado Marcus Vinícius Rios, a descoberta
de remédios para disfunção erétil no carro do pastor “é mais um elemento que
nos faz entender que as intenções do investigado provavelmente em relação à
Stefany eram as piores. Uma vez que é relatado nos autos que a relação conjugal
dele já estava desfeita, e não haveria uma explicação para naquele dia estar
portando este tipo de medicamento, então o que se entende é que alguma intenção
sexual ele tinha no dia dos fatos”.
EM, com fotos: Reprodução/Redes Sociais
|