10/03/2025
Haddad desafia PL a apoiar limite para aposentadoria de militares e para os supersalários
BRASÍLIA, DF - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT),
desafiou o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, a apoiar o projeto do
governo de reforma da previdência dos militares e de limitação dos
supersalários do funcionalismo. Em entrevista ao Flow Podcast, Haddad afirmou
que se o PT e o PL concordarem com a pauta, o projeto será "aprovado em
duas semanas". Os supersalários são os vencimentos de servidores que
ultrapassam o chamado teto do funcionalismo, que corresponde ao honorário dos
ministros do Superior Tribunal Federal (STF), atualmente fixado em R$
46.366,19. Os vencimentos que extrapolam o teto são pagos, em sua maioria, a
membros do Poder Judiciário, como juízes e desembargadores, por meio das
chamadas verbas indenizatórias, que incluem auxílio-moradia, por exemplo. A limitação dos supersalários e a reforma da previdência dos
militares são vistos por economistas e políticos como uma das iniciativas
necessárias para reduzir privilégios e cortar gastos do Estado sem atingir os
mais pobres. A proposta do governo para a pauta está incluída na Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) do pacote de gastos, enviada ao Congresso em
dezembro do ano passado. Já em relação aos militares, um projeto de lei (4920/2024)
com alterações na aposentadoria das Forças Armadas foi assinado por Fernando
Haddad e pelo ministro da Defesa, José Múcio, e entregue para tramitação no
Congresso Nacional. Dentre as mudanças, estão o estabelecimento da idade mínima
de 55 anos para a reserva remunerada e o fim da reversão de pensões e da “morte
ficta”, que é quando um militar expulso ou excluído das Forças Armadas é equiparado
a um militar falecido e recebe direito à pensão. Segundo Haddad, ambas as pautas devem tramitar no
Legislativo. Ele questiona se deputados e senadores do PL vão ajudar na
aprovação “ou vão fazer oposição barata”, conforme definiu. "Tenho certeza que se o PL, do Bolsonaro, desse uma
declaração a favor desses dois projetos de lei, ele passava em duas semanas. Se
o PT e o PL concordarem em limitar a aposentadoria de militares e
supersalários, aprova em duas semanas", afirmou Haddad, dizendo que o desafio
está feito. "Vamos ver se o presidente do PL (Valdemar Costa Neto)
ou quem quer que seja chega e fala: 'O Haddad está certo, e nós vamos apoiar
esses dois projetos do governo’. Vamos ver. Porque ele (Bolsonaro) fez a
reforma da previdência e não incluiu os militares, e nós estamos incluindo
agora”, completou.
EM, com foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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