09/03/2025
Maranhãozinho, Bosco Costa e Pastor Gil: Deputados do PL viram réus por suspeita de propina em emendas
BRASÍLIA, DF - O Supremo Tribunal Federal (STF) formou
maioria de votos para tornar réus dois deputados federais e um suplente do PL
pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa. Os parlamentares Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil
(PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), são acusados pela
Procuradoria-Geral da República (PGR) de cobrarem propina para a liberação de
emendas parlamentares. De acordo com a PGR, entre janeiro e agosto de 2020, os
acusados solicitaram vantagem indevida de R$ 1,6 milhão para liberação de R$
6,6 milhões em emendas para o município de São José de Ribamar (MA). O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma da
Corte. Até o momento, o relator, ministro Cristiano Zanin, e os ministros
Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia votaram para transformar os acusados em
réus. Segundo Zanin, há "indícios suficientes" para o
recebimento da denúncia da Procuradoria. Além disso, o ministro ponderou que,
nesta fase processual, cabe ao Supremo apenas analisar o preenchimento das
acusações formais da acusação. "Não se exige, para este juízo de admissibilidade,
prova completa do crime e de sua autoria, bastando a fundada suspeita quanto
aos imputados e a prova da materialidade dos fatos. O recebimento da denúncia,
pois, não implica julgamento antecipado nem conduz à conclusão sobre
culpabilidade", escreveu Zanin. O julgamento virtual está previsto para ser finalizado no
dia 11 de março. Faltam os votos dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux. Defesas A defesa do deputado Josimar Maranhãozinho declarou ao
Supremo que as acusações da PGR contra o parlamentar se "mostram frágeis e
desfundamentadas". Os advogados de Bosco Costa defenderam a rejeição da
denúncia por falta de provas. A defesa afirmou ao Supremo que a acusação está
baseada em "diálogos de terceiros e anotações manuscritas desconhecidas de
Bosco". A defesa de Pastor Gil defendeu a ilegalidade das provas
obtidas na investigação por entender que o caso deveria ter iniciado no STF, e
não na Justiça Federal do Maranhão. Os advogados também acrescentaram que a
denúncia é baseada em "hipóteses e conjecturas".
André Richter/Érica Santana, com foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
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