20/02/2025
Bolsonaro queria que Defesa apontasse fraude nas urnas, mesmo sem encontrar irregularidade, diz Cid
BRASÍLIA, DF - Em depoimento prestado como parte de seu
acordo de delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid afirmou que o
ex-presidente Jair Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, Paulo
Sérgio Nogueira, a produzir um relatório que apontasse supostas fraudes nas
urnas eletrônicas durante as eleições de 2022. O relato faz parte de vídeo da
delação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, cujo sigilo foi retirado
nesta quinta-feira (20/2). Segundo Cid, os técnicos das Forças Armadas não encontraram
qualquer irregularidade no sistema de votação eletrônica, mas Bolsonaro não
queria que essa informação fosse registrada no relatório oficial. "A
conclusão dele (do general Paulo Sérgio) ia ser essa (de que não houve fraude).
Aí, o presidente estava pressionando para que ele escrevesse isso de outra
forma. Na verdade, o presidente queria que ele escrevesse que houve
fraude", revelou o ex-ajudante de ordens. “Uma coisa que sempre falei, e está nas minhas conversas, é
que não foi encontrado fraude nas urnas, por mais que tivesse uma busca
incessante para encontrar, e que o Exército não iria apoiar nada”, disse Cid. Durante a audiência, o ministro Alexandre de Moraes, do
Supremo Tribunal Federal (STF), questionou Cid se o então ministro da Defesa
foi "proibido" por Bolsonaro de apresentar um laudo que comprovasse a
ausência de problemas no sistema eleitoral. Em resposta, Cid confirmou: “O que
aconteceu foi exatamente isso”. O Ministério da Defesa enviou o relatório ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2022. Apesar das expectativas do
entorno bolsonarista, o documento não apontou falhas nas urnas, "mas também
não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou
inconsistência". Luto profundo Mauro Cid afirmou que na ocasião Bolsonaro estava em luto
profundo por ter perdido as eleições de 2022. "O presidente naquele
momento estava, não vou dizer que estava em depressão, mas estava em luto
profundo. Digamos que ele não tinha muita condição”, afirmou. Segundo ele, quem
vinha falar muito no ouvido dele, ele saía mais para um lado ou para o outro,
em relação a dar um golpe de Estado ou não."
Correio Braziliense, com foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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