18/02/2025
PGR denuncia Jair Bolsonaro e mais 33 ao STF por tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes
BRASÍLIA, DF - A Procuradoria-Geral da República (PGR)
denunciou nesta terça-feira (18) o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33
pessoas ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de golpe de Estado,
abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. A
acusação também envolve outros militares, entre eles WBraga Netto,
ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de
Bolsonaro. Confira a íntegra da denúncia clicando no link
disponibilizado ao final desta matéria. As acusações da procuradoria estão baseadas no inquérito da
Polícia Federal (PF) que indiciou, em novembro do ano passado, o ex-presidente
no âmbito do chamado inquérito do golpe, cujas investigações concluíram pela
existência de uma trama golpista para impedir o terceiro mandato do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. A denúncia será julgada pela Primeira Turma do Supremo,
colegiado composto pelo relator, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio
Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux. Se a maioria dos ministros aceitar a denúncia, Bolsonaro e
os outros acusados viram réus e passam a responder a uma ação penal no STF. Pelo regimento interno da Corte, cabe às duas turmas do
Tribunal julgar ações penais. Como o relator faz parte da Primeira Turma, a acusação
será julgada pelo colegiado. A data do julgamento ainda não foi definida. Considerando os
trâmites legais, o caso pode ser julgado ainda neste primeiro semestre de 2025. Conspiração Na parte sobre Bolsonaro, o procurador-geral da República,
Paulo Gonet, afirmou que o ex-presidente e o general Braga Netto, ex-ministro e
vice na chapa com Bolsonaro - derrotada nas eleições de 2022, exerceram papel
de liderança para realização de uma "trama conspiratória armada e
executada contra as instituições democráticas". "A organização tinha por líderes o próprio presidente
da República e o seu candidato a vice-presidente, o general Braga Neto. Ambos
aceitaram, estimularam, e realizaram atos tipificados na legislação penal de
atentado contra o bem jurídico da existência e Independência dos poderes e do
Estado de Direito democrático", afirmou Gonet. Gonet diz que a denúncia contra Bolsonaro narra os fatos
cometidos por uma "organização criminosa estruturada" para impedir a
concretização da vontade popular demonstrada com o resultado das eleições de
2022, quando Lula foi eleito presidente. " O presidente da República [Bolsonaro] adotou
crescente tom de ruptura com a normalidade institucional nos seus repetidos
pronunciamentos públicos em que se mostrava descontente com decisões de
tribunais superiores e com o sistema eleitoral eletrônico em vigor. Essa
escalada ganhou impulso mais notável quando Luiz Inácio Lula da Silva, visto
como o mais forte contendor na disputa eleitoral de 2022, tornou-se elegível,
em virtude da anulação de condenações criminais", afirmou. Confira a íntegra da denúncia, CLIQUE AQUI.
André Richter/Carolina Pimentel, com foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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