18/02/2025
Lula defende venda direta de diesel, sem a intermediação das distribuidoras, para baratear combustível
BRASÍLIA, DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
defendeu, nesta segunda-feira (17), a venda direta de combustíveis para
baratear o custo desses produtos aos consumidores, sem a intermediação de
empresas distribuidoras. Ele ainda criticou a privatização de empresas públicas
afirmando que elas devem ser indutoras do desenvolvimento nacional. “Eu acho que a Petrobras tem que tomar uma atitude.
Sobretudo óleo diesel, a gente precisa vender para os grandes consumidores
direto, se puder comprar direto, para que a gente possa baratear o preço desse
diesel. Se a gente puder vender direto a gasolina, se a gente puder vender
direto o gás, porque o povo é, no fundo, assaltado pelo intermediário. Ele é
assaltado e a fama fica nas costas do governo”, disse, durante evento de anúncios
de investimentos da Petrobras na indústria naval, em Angra dos Reis, no Rio de
Janeiro. Lula lembrou que, além dos valores cobrados pelos
distribuidores, também incide sobre os combustíveis o Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado pelos estados. “O povo não sabe que a
gasolina sai da Petrobras a R$ 3,04. E que na bomba ela é vendida a R$ 6,49. Ou
seja, ela é vendida pelo dobro do que ela sai da Petrobras. Mas quando sai o
aumento, o povo pensa que a Petrobras que aumentou. E nem sempre é a Petrobras,
porque cada estado e cada posto tem liberdade de aumentar a hora que quer”,
disse. Lula lembrou ainda que, até pouco tempo atrás, a lógica de
importar máquinas e equipamentos prevalecia na Petrobras, pois comprar fora do
país custava menos para a empresa. Segundo ele, o objetivo do governo, agora, é
nacionalizar os fornecedores da companhia. “A nossa ideia de colocar as coisas nacionais, fabricadas
pelas nossas empresas, nos nossos navios, na nossa plataforma, na nossa refinaria,
é uma missão que a gente vai cumprir a cada dia”, disse. “E eu sempre perguntava, mas custa para Petrobras US$ 100
milhões a menos [a importação de bens], a Petrobras vai lucrar, mas quanto
custa para o país? Quanto custa para o aprendizado tecnológico nosso? Quanto
custa para geração de emprego? Para pagamento de salário? Quanto isso volta
para o próprio povo brasileiro? Porque se as pessoas não pensarem no Brasil, só
pensarem na empresa, no rendimento da empresa, obviamente que fica mais barato
comprar qualquer coisa fora. Mas nós temos que pensar nesse país. Não é o
Brasil que é da Petrobras, é a Petrobras que é do Brasil. E, portanto, ela
precisa ter uma vocação de ajudar a desenvolver esse país”, destacou. Na cerimônia no Terminal da Transpetro, em Angra dos Reis,
foi lançada a segunda licitação do Programa de Renovação e Ampliação da Frota e
assinados protocolos de intenções para o reaproveitamento de plataformas da
Petrobras em fase de desmobilização. Nova frota O Programa de Renovação e Ampliação da Frota faz parte do
Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A licitação anunciada hoje
prevê a aquisição de cinco navios gaseiros do tipo pressurizado para transporte
de gás liquefeito de petróleo (GLP) e três navios do tipo semirrefrigerado
capazes de transportar GLP e amônia. De acordo com o governo, a ampliação da frota de gaseiros,
de seis para 14 navios, leva em conta o aumento de produção de gás natural no
país e pretende atender a demanda na costa brasileira e na navegação fluvial,
como já ocorre na Região Norte do país e na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do
Sul. Essa contratação deve triplicar a capacidade da Transpetro para
transportar GLP e derivados e, ainda, permitir à companhia carregar amônia,
ampliando a carteira de serviços da companhia. As empresas interessadas terão 90 dias para apresentar as
propostas. De acordo com o cronograma, o primeiro navio deve ser lançado em até
30 meses após a formalização do contrato. Os demais devem ser entregues
sucessivamente a cada seis meses. “Os futuros gaseiros serão até 20% mais eficientes em termos
de consumo, propiciarão redução de 30% nas emissões de gases do efeito estufa e
estarão aptos para atuar em portos eletrificados”, destacou a presidência da
República, em comunicado. Sustentabilidade A Petrobras também assinou protocolo de intenções para
analisar a viabilidade do reaproveitamento de plataformas. Até 2029, serão
desmobilizadas dez plataformas. O documento também foi assinado por instituições da
indústria que vão colaborar para o estudo, como o Sindicato Nacional da
Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Associação
Brasileira das Empresas da Economia do Mar (Abeemar) e Instituto Brasileiro de
Petróleo e Gás Natural (IBP). “Em um cenário em que a gestão de ativos de produção,
especialmente no setor de óleo e gás, se tornou cada vez mais relevante no
contexto da sustentabilidade e da circularidade, o reaproveitamento de
plataformas surge como alternativa estratégica em linha com os compromissos ESG
[ações ambientais, sociais e de governança] da Petrobras”, explicou o governo.
Andreia Verdélio/Aline Leal, com foto: Lula Marques/Agência Brasil
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