20/01/2025
Deputada é ameaçada de morte após defender fiscalização do pix e criticar a extrema direita
BRASÍLIA, DF - A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP)
protocolou, neste domingo (19), na Polícia Federal, um pedido de abertura de
inquérito para apurar e identificar autores de ameaças de morte que ela
recebeu. As ameaças vieram após a publicação de um vídeo em que Érika defende a
fiscalização do Pix, medida revogada pelo governo. A publicação acumulava 88
milhões de visualizações no Instagram e 24 milhões no X até o início da noite
deste domingo. O vídeo de Erika segue linha semelhante ao vídeo de Nikolas
Ferreira (PL-MG), com mecanismos visuais e sonoros no mesmo modelo dos que
foram utilizados na postagem do deputado de oposição. Nikolas critica o governo
pela medida adotada, afirmando que afetaria apenas a população mais carente. De acordo com a assessoria de Erika Hilton, as incitações ao
crime de homicídio contra ela ocorreram no X e ganharam força ao longo da
madrugada deste domingo. Por conta da grande repercussão, perfis de extrema
direita passaram a enviar mensagens como “Projeto Ronnie Lessa 2.0 teria que
entrar em ação”. Outro internauta menciona a contratação de “pistoleiros” para
ficar “na cola” de Erika Hilton. Segundo a deputada, “a violência da extrema direita é conhecida
por todos nós. Sinto que parte deles não se conforma com a propagação da
verdade, e quer apelar para ameaças e intimidações para que eu recue. Não
recuarei. Estou, junto de meus advogados e equipe de segurança, tomando as
medidas cabíveis pra responsabilizar quem comete crimes, mas acima de tudo, não
podemos perder o foco, que é espalhar a verdade sobre os fatos, combater a
desinformação daqueles que querem sequestrar, fazer refém e destruir a
democracia, o livre debate público, a divergência de ideias, que é
completamente diferente da mentira, do ódio, das ameaças.” Erika Hilton: ‘pix é cortina de fumaça’ Na publicação, Hilton afirma que a fake news de que o
governo cobraria imposto sobre o Pix é uma cortina de fumaça carregada de
desinformação, criada para esconder os ataques da base bolsonarista não apenas
ao governo Lula, mas aos trabalhadores brasileiros. “O que o governo queria era aumentar para 5 mil reais [o
limite de fiscalização] na tentativa de constranger e coibir criminosos,
quadrilhas, pessoas que fazem movimentações de montantes financeiros
bilionários muito acima de seus salários. E talvez seja isso que a extrema
direita quer esconder. Talvez sejam esses os medos da extrema direita”, destaca
a deputada. “O governo está preocupado em combater a desigualdade,
promover cada vez mais políticas que consigam dar dignidade aos trabalhadores e
trabalhadoras do nosso país. E talvez seja essa a outra coisa que eles queiram
esconder: a sua dignidade, os seus direitos, algo que eles sempre odiaram.
Porque, para que os super ricos continuem aqui em cima, é preciso que os
trabalhadores e os super pobres continuem produzindo toda essa riqueza. E esse
sim é o verdadeiro interesse da extrema direita”, disse Erika Hilton. A parlamentar ainda lembra que a possibilidade de taxação do
Pix surgiu no governo Bolsonaro. “Quem sempre defendeu a taxação do Pix foi o
ex-ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes. Ele sempre falou sobre
taxar o Pix. O que o governo Lula propôs era algo que já existe, só que a
partir dos R$ 5 mil. Hoje, já se passa na Receita Federal a informação de
movimentações a partir de R$ 2 mil. É preciso não cair nessa onda de ataque e
de mentira”. Com uma carreira em ascensão, Erika Hilton foi eleita em
2020 como a mulher mais votada para vereadora no país e a primeira mulher
trans/travesti a ingressar na Câmara Municipal de São Paulo. Nas eleições de
2022, reafirmou sua força política ao ser a primeira travesti a alcançar o
cargo de deputada federal, com mais de 250 mil votos no estado de São Paulo. A deputada federal Erika Hilton lidera a bancada do Partido
Socialismo e Liberdade (PSOL) e Rede Sustentabilidade no Congresso e é uma das
figuras políticas de maior destaque nas redes sociais. Ela utiliza esses
espaços para ampliar a visibilidade sobre diferentes questões sociais e de
interesse público.
ICL Notícias, com foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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