17/01/2025
Após Bolsonaro recorrer, Moraes nega ceder passaporte para viagem ao EUA mais uma vez
BRASÍLIA, DF - Após a negativa do ministro do Alexandre de
Moraes, na última quinta-feira (16), a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro
apresentou recurso da decisão que o impedia de viajar aos Estados Unidos para a
posse do presidente Donald Trump. A resposta do magistrado foi outra negativa. “Mantenho a decisão que indeferiu os pedidos formulados por
Jair Messias Bolsonaro por seus próprios fundamentos”, disse Moraes em sua
decisão, proferida nesta sexta-feira (17). No recurso, os advogados do ex-presidente solicitaram
devolução do passaporte, apreendido em fevereiro de 2024, alegando que o pedido
de viagem é pontual, não se tratando de um pedido de revogação da decisão que
reteve o documento. Mas a posição do ministro do STF diante do caso não mudou. Moraes já havia considerado, na decisão publicada ontem, que
os comportamentos recentes do ex-presidente indicam a possibilidade de
tentativa de fuga do Brasil, para evitar uma eventual punição. Bolsonaro queria viajar aos Estados Unidos entre os dias 17
e 22 de janeiro. Ele e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, alegam
que houve convite formal ao ex-presidente, enviado por e-mail. Mas o e-mail,
segundo Moraes, se tratava de um “endereço não identificado” e sem qualquer
horário ou programação do evento a ser realizado. Mesmo sem uma comprovação do
convite oficial, o ministro analisou o pedido de devolução do passaporte,
negando-o. O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, já havia
se manifestado nessa terça-feira (15) contrário ao pedido. Em parecer enviado
ao Supremo, o chefe do Ministério Público Federal (MPF) sustenta que o
ex-presidente não demonstrou a necessidade imprescindível nem o interesse
público da viagem. Bolsonaro teve o passaporte apreendido no âmbito da Operação
Tempus Veritatis, da Polícia Federal (PF), que investiga uma suposta
organização criminosa suspeita de atuar para dar um golpe de Estado e abolir
Estado Democrático de Direito no Brasil com o objetivo de obter vantagens de
natureza política, mantendo o ex-presidente no poder.
Marcelo Brandão, com foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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