16/01/2025
PGR se manifesta contra devolver o passaporte para Bolsonaro ver a posse de Trump nos EUA
BRASÍLIA, DF - O procurador-geral da República, Paulo Gonet,
se manifestou contra a liberação temporária do passaporte do ex-presidente Jair
Bolsonaro, retido desde o ano passado, para que ele possa viajar aos Estados
Unidos (EUA), onde pretende participar da posse de Donald Trump na presidência
norte-americana. Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o
chefe do Ministério Público Federal (MPF) sustenta que o ex-presidente não
demonstrou a necessidade imprescindível nem o interesse público da viagem. "Não há, na exposição do pedido, evidência de que a
jornada ao exterior acudiria a algum interesse vital do requerente, capaz de
sobrelevar o interesse público que se opõe à saída do requerente do país. A
situação descrita não revela necessidade básica, urgente e indeclinável, apta
para excepcionar o comando de permanência no Brasil, deliberado por motivos de
ordem pública", diz a manifestação. O PGR também observou que o ex-presidente não possui status
de representação do país. "Não há, tampouco, na petição, evidência de interesse
público que qualifique como impositiva a ressalva à medida de cautela em vigor.
É ocioso apontar que o requerente não exerce função que confira status de
representação oficial do Brasil à sua presença na cerimônia oficial nos Estados
Unidos". Na última semana, a defesa de Bolsonaro solicitou que o STF
autorizasse a devolução do passaporte para que ele pudesse viajar aos Estados
Unidos entre os dias 17 e 22 de janeiro, a fim de acompanhar a posse de Trump,
agendada para ocorrer no dia 20, em Washington. Em sua primeira manifestação sobre o pedido, o ministro
Alexandre de Moraes, do STF, determinou aos advogados do ex-presidente que
apresentassem à Corte um documento oficial, do governo dos Estados Unidos, para
comprovar que Bolsonaro foi formalmente convidado para a cerimônia de posse do
presidente estadunidense. Segundo Moraes, a defesa apenas havia copiado um
email enviado ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do
ex-presidente, por um endereço eletrônico não identificado e sem detalhes da
cerimônia de posse. Em resposta, a defesa do ex-presidente reiterou o pedido
original, alegando que o domínio do endereço de email informado é temporário e
alusivo à organização da posse, o que seria comum nas posses presidenciais dos
EUA. Os advogados de Bolsonaro também enfatizaram a importância internacional
do evento e que a viagem do ex-presidente não iria atrapalhar o andamento das
investigações contra ele. Agora, com a manifestação da PGR, o ministro Alexandre de
Moraes deve tomar a decisão se autoriza ou não a devolução temporária do
passaporte de Bolsonaro. O ex-presidente teve o passaporte apreendido em fevereiro de
2024, no âmbito da Operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal (PF), que
investiga uma organização criminosa suspeita de atuar para dar um golpe de Estado
e abolir o Estado Democrático de Direito no Brasil com o objetivo de obter
vantagens de natureza política, mantendo o ex-presidente no poder. Desde então,
a defesa do político já tentou reaver o documento em ao menos duas ocasiões,
mas teve os pedidos recusados pelo ministro Alexandre de Moraes.
Pedro Rafael Vilela/Carolina Pimentel, com foto: Lula Marques/Agência Brasil
|