01/01/2025
Prefeito investigado por envolvimento com facção é preso antes da posse; filho assume em seu lugar
SANTA QUITÉRIA, CE - O prefeito reeleito de Santa Quitéria,
José Braga Barrozo (PSB), foi preso pela Polícia Federal e pela Polícia Civil
do Ceará na tarde desta quarta-feira (1º) pouco antes de tomar posse para seu
segundo mandato. Braguinha, como é conhecido no município, é investigado por
suspeita de envolvimento com uma facção criminosa de origem carioca, que teria
atuado em favor da sua chapa nas eleições municipais de 2024. Após a prisão do prefeito, a Câmara de Vereadores elegeu,
por 7 votos a 6, a chapa presidida pelo vereador Joel Barroso para compor a
nova Mesa Diretora. Joel é filho de Braguinha e, como presidente da Câmara, foi
empossado prefeito interino do município. "Tendo em vista a decisão oriunda da Justiça Eleitoral
do Ceará, que cautelarmente afastou o prefeito e o vice-prefeito eleitos,
impedindo o exercício do mandato eletivo, hei por bem dar prosseguimento ao
rito de sucessão legal para ocupação do cargo de prefeito da cidade de Santa
Quitéria", pronunciou a vice-presidente da Mesa Diretora, Dra. Emanuela
Barbosa, no ato de posse de Joel. O mandado de prisão de Braguinha foi expedido pelo Tribunal
Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) e cumprido pelos policiais federais
enquanto os vereadores da Câmara Municipal de Santa Quitéria se preparavam para
eleger a nova Mesa Diretora, que por sua vez daria posse ao prefeito. O vice-prefeito do município, Francisco Gardel Mesquita
Ribeiro (PSB), conhecido como Gardel Padeiro, também é investigado no mesmo
processo por envolvimento com uma facção criminosa. Ele não chegou a ser preso,
mas foi impedido de tomar posse no lugar de Braguinha. Em nota, a Polícia Federal informou que a investigação
contra esquemas criminosos nas eleições deste ano em Santa Quitéria revelou
práticas ilícitas como coação eleitoral, compra de votos e intimidação violenta
contra eleitores e candidatos adversários, comprometendo a integridade do
pleito. "Foi apurado que chefes de uma organização criminosa,
com apoio financeiro e logístico de outros investigados, atuaram para
beneficiar candidatos específicos no município de Santa Quitéria/CE. Entre os
crimes identificados estão ameaças diretas, ameaça a moradores e uso indevido
de recursos públicos para atender aos interesses do grupo criminoso",
disse a PF. Além do mandado de prisão de Braguinha, foram cumpridos
mandados de busca e apreensão, bem como o afastamento de servidores municipais. Ministério Público Eleitoral pediu cassação do prefeito De acordo com o Ministério Público Eleitoral (MPE), José
Braga Barrozo, o Braguinha, foi favorecido por membros do Comando Vermelho
durante as eleições municipais de 2024. Os criminosos teriam ameaçado e coagido
eleitores do candidato à prefeito Tomás Figueiredo (MDB), e ordenado ações
contrárias à candidatura do opositor. "Eleitores e apoiadores receberam mensagens pelo
Whatsapp e ligações com ameaças de morte ou ordens de expulsão da cidade, assim
como ameaças de incêndio em casas e de danos a veículos, conforme fotos, áudios
e diálogos extraídos de aparelhos celulares", escreve o órgão em parte do
processo, ao qual o g1 teve acesso. O MPE pediu a cassação de Braguinha e do seu vice, conhecido
como Gardel Padeiro, bem a inelegibilidade dos dois por oito anos. Além dos
dois gestores, uma candidata a vereadora da cidade, Kylvia de Lima (PP), também
é acusada de envolvimento no esquema. Ainda conforme o Ministério Público, em julho de 202 dois
servidores da Prefeitura de Santa Quitéria teriam ido até o Rio de Janeiro
dirigindo um veículo Mitsubishi Eclipse Cross com intuito de entregá-lo a um traficante
que comanda a facção criminosa que domina o tráfico em Santa Quitéria. Por meio de nota, o prefeito e o vice-prefeito negaram as
acusações e afirmaram que "toda essa discussão na mídia reflete ações
orquestradas por grupos que não aceitaram sua derrota nas últimas
eleições". A reportagem está tentando contatar a defesa de Braguinha
para comentar a prisão. A matéria será atualizada quando houver resposta.
g1, com foto: Reprodução/Instagram
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